Entender o que são povos e comunidades tradicionais na Amazônia é um meio para compreender a história da região. Eles estão intimamente relacionados à Amazônia, mas cada um com características e modos de se relacionar distintos. É uma riqueza de culturas e tradições que devem ser apreciada e compreendida respeitando as peculiaridades.
Além da história que cada povo e comunidade carrega consigo, há também os ensinamentos. Por estarem próximos da floresta, usando-a como recurso para viver, eles conhecem o modo de ser da natureza. É a sabedoria que ultrapassa gerações e cresce a cada história compartilhada.
Além da história que cada povo e comunidade carrega consigo, há também os ensinamentos. Por estarem próximos da floresta, usando-a como recurso para viver, eles conhecem o modo de ser da natureza. É a sabedoria que ultrapassa gerações e cresce a cada história compartilhada.
Os meios de vida dos povos das florestas colaboram na preservação e conservação da natureza. E ajudam pesquisadores e cientistas no estudo do meio ambiente.
Nesse post, te convidamos a conhecer as características dos ribeirinhos, quilombolas e comunidades extrativistas.
Os povos das florestas precisam ser preservados, na totalidade de sua identidade e apoiados para sobreviverem de forma sustentável. É com esse pensamento que a Redda+ cria e desenvolve seus projetos.
Afinal de contas, não basta incentivar um crescimento, é preciso ir além, respeitando aqueles que já estão nas terras. É preciso aliar tradição, atualidade e consciência ambiental.
Nesse post tem:
- O que são Povos e Comunidades Tradicionais na Amazônia
- Diferença entre ribeirinho, quilombola e comunidades extrativistas
- Povos e comunidades tradicionais por região
- Conheça a Redda+
O Que São Povos e Comunidades Tradicionais na Amazônia
Os povos e comunidades tradicionais foram definidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) como:
grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
Nessa definição, estão inclusos os povos indígenas, os quilombolas, as comunidades tradicionais, os extrativistas e os ribeirinhos. Mas, também incluem os pescadores artesanais, e outros povos ainda sem nomenclaturas definidas. Apesar de presentes em toda a Amazônia Legal, há uma concentração no norte do Pará.
Por fim, é bom lembrar que os povos e comunidades tradicionais estão espalhados por todo o Brasil. Por isso, é possível encontrá-los em outros estados, algumas comunidades são menos isoladas. Inclusive, existem comunidades que ganham renda compartilhando sua cultura e histórias com turistas. Nessa mesma organização, estão as tribos indígenas, das mais tradicionais, às que se adaptaram à modernidade.
Clique aqui e entenda qual é a diferença da Amazônia Legal e Amazônia Internacional
Diferença entre ribeirinho, quilombola e comunidades extrativistas
Saiba o que define cada um e um pouco da origem de cada povo.
Povo Ribeirinho
O povo ribeirinho é o que mantém um estilo de vida tradicional, cuja principal atividade de sobrevivência é a pesca. Eles costumam morar nas margens dos rios em casas de palafitas de madeira, adaptando-se às temporadas de chuva. Este foi reconhecidos formalmente pelo governo em 2007. Nessa população também somam-se descendentes de migrantes do Nordeste brasileiro.
Inclusive, a história do surgindo dos ribeirinhos está vinculada a migração dos muitos nordestinos que foram trabalhar na Amazônia. Isso aconteceu na segunda metade do século XIX, quando no auge das empresas de borracha.
Entretanto, com a queda do mercado e a ausência de políticas públicas, esses trabalhadores se viram sem trabalho. A solução foi, viver ao longo do rio, descobrindo como sobreviver tão perto da floresta, encontrando um meio de subsistência.
Clique aqui e conheça tudo sobre o povo ribeirinho da Amazônia.
Povo Quilombola
Os quilombos, comunidades constituídas por homens e mulheres escravizados, que fugiram na época da escravidão, estão também na Amazônia. O projeto Nova Cartografia Social Brasileira mapeou mais de 1.000 comunidades quilombolas na Amazônia Legal. O curioso é: muitos pensam que quilombolas estão no passado da nossa história, mas eles estão presentes em quase todos os estados brasileiros.
Eles vivem em áreas reservadas e isoladas, embrenhados nas matas, as aldeias mantém uma economia de subsistência. O isolamento foi essencial para a sobrevivência desse povo, mantendo as tradições e a identidade cultural preservadas. No período colonial, o Quilombo dos Palmares foi o mais emblemático, Palmares é uma referência importante de resistência do africano à escravatura.
Comunidade Extrativista
A atividade extrativista faz parte da história das florestas brasileiras, em cada ciclo econômico, há um tipo de extração. Os recursos naturais explorados por essa atividade são diversos e, atualmente, ainda é a base econômica de muitas famílias.
Cada região do Brasil oferece uma característica do extrativismo. No Norte, são extraídos buriti, murici, cupuaçu e o babaçu, sendo a principal fonte de renda das famílias. O desafio está em se conectar com essas famílias para incentivar a atividade com consciência sustentável.
É um modo de minimizar os impactos ambientais negativos e garantir a renda das famílias. As reservas extrativistas surgiram com esse objetivo.
Povos e comunidades tradicionais por região
A quantidade exata de povos e comunidades tradicionais no Brasil é difícil de ser calculada por estarem espalhadas em diversos territórios. Além disso, algumas ainda vivem em áreas muito isoladas, dificultando o acesso. Contudo, existem as que são encontradas e recebem apoios de organizações não-governamentais, instituições religiosas e projetos governamentais.
Devido à característica nômade das pessoas, as comunidades tendem a sofrer transformações. Por isso, os estudos costumam falar desses povos nomeando-os com base nas regiões que estão alicerçados.
01) Ribeirinhos em Portel, no Pará
A população ribeirinha em Portel vive da extração de recursos naturais, em comunidades isoladas. Os projetos com essa comunidade visam encontrar um equilíbrio entre a atividade extrativista e a sustentabilidade no uso dos recursos naturais.
Além disso, o projeto base da Redda+ é sustentado pelos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Para cada objetivo foi observado as necessidades reais das comunidades, para atendê-las com precisão. Os estudos e diagnósticos foram importantes exatamente para entender quais eram as emergências e condições das comunidades.
02) Quilombolas em Oriximiná, no Pará
A região é um extenso território isolado no município de Oriximiná, na Amazônia. Nessa região existem cerca de 10.000 quilombolas e 3.500 índios de diferentes povos, distribuídos por 12 territórios. Desde 1989, a Comissão Pró-Índio de São Paulo ajuda em projetos nessa região.
Os quilombolas em Oriximiná vivem em residências simples, afastadas e sem rede de abastecimento de água e esgoto. A comunidade está em constante transformação, pois as pessoas sempre mudam, criando novos núcleos de moradia. No geral, as comunidades são formadas por um centro comunitário e as residências. O centro costuma ter escolas, capela e um espaço para confraternização.
03) Reserva Extrativista Rio Xingu, no Pará
A RESEX Rio Xingu, está no município de Altamira, no Pará, a região também é conhecida como Terra do Meio.
As comunidades extrativistas dessa região, já vivenciaram diversos ciclos econômicos, como a borracha e a castanha. Inclusive, a venda da castanha ainda é responsável pela economia das famílias, bem como a produção de farinha de mandioca.
Atualmente, a população da reserva é distribuída em quatro grandes regiões, elas são: Baliza, Pedra Preta, Morro Grande e Morro do Felix.
04) Ribeirinhos de Tapajós, no Pará
Os povos ribeirinhos e extrativistas de Tapajós estão na Unidade de Conservação Flona de Tapajós. A Floresta Nacional tem mais de 600 mil hectares e está no oeste do Pará, nas limitações de Santarém e Alter do Chão. Lá existem cerca de 28 comunidades que vivem basicamente da pesca e de cultivos locais.
A Floresta Nacional de Tapajós foi a primeira Flona criada na Amazônia, e mesmo assim passa por muitas dificuldades para se preservar. Os ribeirinhos são constantemente colocados à prova devido à ilegalidade de algumas atividades. Em março desse ano, os pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) constataram o elevado índice de mercúrio do garimpo nos moradores.
Conheça como a Redda+ e você podem ajudar a preservar a Amazônia
A Redda+ desenvolve projetos baseados nos mecanismos REDD+ e nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Esses projetos são aplicados nos povos e comunidades tradicionais para unir forças na preservação e conservação do meio ambiente. Entretanto, sem ignorar as famílias que sempre viveram na região e possuem uma relação muito próxima com a floresta.
Dessa forma, a Redda+ acredita que é possível aprender com os povos das florestas e colaborar no desenvolvimento sustentável. É uma troca em que ambos os lados se ajudam para um bem maior.
Assim, as comunidades podem continuar tirando o sustento da floresta, mas também o fazem com consciência ambiental. Além disso, compartilham seus conhecimentos coletados durante anos de história e tradições na região.
Para desenvolver os projetos, a Redda+ se apoia nos pilares: economia, social, cultural e ambiental. É um modo de compreender que uma sociedade funciona sob diversas perspectivas e, todas elas, se complementam de alguma forma. Quando esses pilares são considerados e desenvolvidos em parcerias, os resultados de longo prazo são promissores.
O que desejamos é apoiar os povos e comunidades tradicionais da Amazônia a crescerem e se desenvolverem com autonomia e sustentabilidade. Além disso, esperamos aplicar ações que ajudem na compensação da emissão excessiva dos gases de efeito estufa. Clique aqui, conheça mais sobre os nossos projetos e faça parte você também.
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